“Minha dor é perceber, que apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos, e vivemos como nossos pais” (Belchior)
Uma das coisas que mais me faz bem é brincar com meu filho. Confesso que estou curtindo muito esta fase de “pai herói”, e espero que ela perdure por muito tempo ainda. Porque uma coisa eu confesso: não tenho a menor idéia de como vai a ser a experiência de ser um pai de adolescente. Tendo-me como parâmetro, imagino que não deva ser fácil. De lidar com questionador ingênuo para contestador cáustico penso que a diferença deva ser realmente grande.
Muito deste conflito eu imagino venha da forma como os pais tentam lidar com os filhos. Na infância sim somos os heróis, os que sabem tudo, que conhecem tudo. Temos o perfeito controle da situação. Mas, quando os hormônios começam a se manifestar, e as perguntas deixam de ser tão ingênuas, querer impor o que se sabe não vai dar mais certo. Até por que o jovem vive uma realidade que não é igual a da nossa época, e os sonhos e a insegurança andam juntas de braços dados, e as repostas que eles querem não são tão simples, e as que damos não são as melhores porque se baseiam na nossa experiência, vivida há muito tempo atrás, numa época bem diferente. E o mais complicado: não vê mais a gente como modelo de perfeição, e enxerga como ninguém nossos deslizes e sempre querem saber: “porque você não fez diferente” (porque não sabíamos que ia dar errado... mas vai explicar!). Trata-se de um momento difícil, no qual os dois – pai e filho - se nivelam. O ingênuo acorda para a vida e a teme, o herói não é tão bravo quanto se imaginava, e tem que explicar o quanto a vida é de fato complexa e incerta. Se mostra um ser comum, com qualidades, defeitos, erros e limitações. É o momento onde o que se resta a dizer é: “Não Luke, você esta enganado, eu sou seu Pai!”
Mas no presente quero muito curtir meu filhão, e esforçar para tomar as decisões certas para que quando a gente tenha que se nivelar, eu consiga estar preparado para conversar francamente sobre a vida e seus caminhos... E pensando nas músicas acimas citadas, não há ninguém melhor ou pior nesta história toda, apenas pais e filhos...
Uai ?! 1 – Tem um livro que estou lendo que é fantástico. Chama-se “Família de Alta Performance”, de Içam Tiba. Texto direto, sem rodeios, que instiga a reflexão sobre os papeis familiares.
Uai ?! 2 – Para os pais / mães separados, tenho uma outra sugestão: “Manual de mães e pais separados”, de Marcos Wettreich. Um guia prático para educação e felicidades dos filhos, com preciosas recomendações e reflexões para aqueles que decidiram encerrar uma união, mas tem o bem estar dos filhos como prioridade.
Uai ?! 3 – O Luke a que refiro no texto é o filho do Anakin (Darth Vader) mesmo...rs
Abraços e boa noite a todos